segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Eu me basto?!


Acho estranho quando as pessoas dizem que de bastam, que são felizes sozinhas e não precisam dos outros para se sentirem felizes, bonitas e resolvidas.
Entendo que elas querem afirmar que não são escravas da aprovação dos outros, mas questiono até isso, afinal somos seres sociais.
O outro nos define, limita ou liberta
A identidade psicológica de uma pessoa não é uma massa uniforme e estática, parece mais com uma colcha de retalhos de muitas visões que repousaram sobre ela no processo educacional e cultural. Os gênios e os crapulas são frutos de seu próprio tempo e não podemos descartar nenhuma influencia nesse sentido.
Os psicóticos vivem numa realidade criada só por eles. Esses sim vivem com total autonomia psíquica, mas totalmente desenraizada da realidade comum e se tornam incapacazes de comunicar, compartilhar e trocar experiências com os outros.
Os náufragos atestam as seqüelas do isolamento social, pois acabam sendo corrompidos pela total impossibilidade de trocar experiências e expressar sua vitalidade. Eles não existem, apenas sobrevivem. As idéias precisam de dialogo para se formatarem e mesmo o sábio na montanha tem um interlocutor em potencial.
É tão grande a necessidade de reciprocidade que os presos fechados na solitária entram em estado psicótico alucinando o diálogo com pessoas imaginárias, resquício de lembranças antigas.
Essas experiências-limites desmontam a aparente independência que muitos pregam. Normalmente os que se dizem bem com a solidão são pessoas que se viram incapazes de estabelecer conexões significativas com uma outra pessoa, criaram um desdém e converteram a solidão involuntária em discurso panfletário pseudo-realizado.
Se procurarmos no histórico pessoal veremos lances dolorosos de tentativas e erros amorosos. Tomaram um por todos e se fecharam numa racionalização maciça a ponto de convencerem a si mesmas que caminham bem sozinhas. Se apóiam em filhos, amigos ou pais velhinhos que não se permitem morrer, em última instância os gatos e cachorros (incapazes de decepcionar uma personalidade tão idealista e sensível).
Essa solidão é silenciosamente dolorosa por que falta uma intimidade específica de poder contar, ainda que isso seja um desejo irrealizável, com um comparsa emocional nos seus dias mais difíceis e nas alegrias mais profundas. Não que eu ache que devamos ter um relacionamento a qualquer custo.
Conheci uma senhora de quase 80 anos que finalmente encontrou o seu amor após dois casamentos razoáveis, ela fez questão de dificultar a abordagem do atual marido até o limite das forças, quando finamente cedeu e se descobriu, na terceira idade.
O outro nos define, limita ou liberta, cabe a nós decidir o que será… A solidão jamais será um antídoto para o sofrimento.



Extraido de : http://www.sobreavida.com.br/2012/07/19/eu-me-basto/

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