segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Como perder um amor ou uma meta com dignidade


A atleta McKayla se tornou um exemplo de como administrar mal a sensação de derrota numa competição e se tornou uma piada. É muito comum esse jogo psicológico que fazemos quando desejamos muito uma coisa e não obtemos. Manipulamos nossos desejos a tal ponto que chegamos a desdenhar o desejo de ter conquistado aquela meta.
Desculpa, McKayla, você perdeu
A história de raposa e as uvas retrata bem isso.
Porque temos medo de admitir que não somos irresistíveis e capazes de tudo? Qual o grande receio que temos ao lidar com um insucesso, um fracasso ou uma frustração?
É o ego (grande) que está em jogo, aquela imagem grandiosa que seu pai e sua mãe incutiram em sua cabeça afirmando que era a criança mais especial, inteligente e capaz de toda a face da Terra. Você cresceu sendo enganado, pois ao contrário dos elogios (normalmente sem base de realidade) reforçarem sua autoestima criaram uma necessidade constante de aplausos que se tornou uma pressão sem fim ao longo da vida. Sucesso ou nada.
Será que você realmente precisa ser unanimidade e plenamente aceito em todos os ambientes que circular para ter valor pessoal? É o eleitor que necessariamente qualifica seu candidato?
Os perfeccionistas são os mais afetados por essa necessidade de obter sempre resultados positivos e dignos de aplauso. Aqueles que abrem espaço para não obter sempre o que querem ou que reconhecem que existe um longo e árduo trabalho pela frente suportam mais as frustrações. Ele reconhece que não é o centro do mundo e que outras pessoas se aplicaram mais e melhor que ele ou que pelo menos a sorte lhes bateu a porta um dia.
Quando uma pessoa almeja um parceiro amoroso e consegue um flerte ou um primeiro encontro logo cria uma expectativa fantasiosa de que bastaria o seu desejo de ter aquela pessoa para que ela cedesse aos seus encantos. Se a pessoa não insiste o resultado quase usual é um certo desprezo ressentido. A garota sai batendo o pé indignada como se o rapaz tivesse a obrigação de corresponde-la. Ela não entendeu que ele não era obrigado a gostar dela como o papai e a mamãe a fizeram acreditar.
Numa competição onde uma só uma pessoa chega primeiro ou tem uma performance de destaque não adianta fantasiar outra realidade, ou você será campeão ou não, não existe espaço para o desempate. Isso não invalida a qualidade do seu trabalho ou esforço, só denota que você não chegou em primeiro lugar.
Afirmar que aquele emprego nem era importante, aquele título era uma farsa, que aquele cara era um babaca não torna você especial. Esse pensamento tem o seguinte raciocínio implícito “eles não tiveram tempo suficiente para para ver o quanto eu sou especial, sairam perdendo”.  Notem que houve uma tentativa de subverter a lógica simplesmente para respaldar o desejo de se sobrepor com soberania, todos estavam errados, menos ela. [o drama da rejeição]
Personalidade frágeis costumam se ancorar no seu desempenho social ou em alguma habilidade como se fosse a única coisa que a define ou dá significado em sua vida. Quando uma atleta que se dedicou anos para ser campeã não consegue o seu intento ela fica integralmente abalada porque criou uma identidade única A ATLETA.
Da mesma forma uma garota(o) que acredita que só tem valor se for aceita amorosamente pelo homem que escolheu irá se sentir integralmente ofendida se for “rejeitada”. Olhando com cuidado ela não foi rejeitada, mas apenas não escolhida por uma entre tantas pessoas que poderiam escolhê-la. Desejar uma pessoa não garante que essa pessoa tenha que ser recíproca.
Se seu desejo fosse atendido o mesmo direito deveria ser concedido a todas outras pessoas, inclusive a ex-namorada do seu pai que foi deixada para que ele ficasse com sua mãe e você nascesse. Se o desejo dela de permanecer com seu pai fosse realizado como você quer ver o seu (a qualquer custo) provavelmente você não teria nascido. A vida é assim.
Portanto, você não precisa sair batendo o pé como a McKayla fez, mas simplesmente admitir que alguns dias podem ser melhores que outros e você não estará no topo, e as vezes, bem longe dele e tudo bem, a vida segue em frente.

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