segunda-feira, 2 de julho de 2012

Extremista


Quando alguém me diz que é uma pessoa 8 ou 80 eu confesso que no íntimo fico compadecido dela. Mesmo não sendo partidário de ter dó esse sentimento me vem como um vento frio de manhã e fica em mim, não sei explicar.

Adoram dizer a verdade... Guarda essa pra você
A vida é tão preciosa em sua diversidade, amplidão, profundidade e variação que ao ouvir uma boca pomposa de si afirmar que só funciona nos extremos eu lamento por ver alguém que se acostumou com uma certa miséria emocional.
Essas pessoas costumam ser aquelas que se pregam autênticas, verdadeiras e nada dissimuladas. Se orgulham de não levar desaforo para casa ou engolir sapo. Seu vocabulário está recheado de TUDO e NADA, SEMPRE, NUNCA, TODOS, NINGUÉM. Se nossa maneira de viver se reflete (nos matizes) de nossa fala chego a conclusão de que alguém que se alimenta de falas radicais, entre topos e vales nunca caminhou suficientemente.
Como degustar cada minuto da existência humana usando apenas colher? Facas, garfos, pratos, copos, xícaras, aparadores, panelonas, panelinhas e tantas outras ferramentas podem ser eleitas para as deliciosas refeições que nos são apresentadas.
8 ou 80, e o número 1, 2, 3, 4, 27, 34, 49, 52, 68, 71, 86, 1000 e o infinito? Percebem quanto desperdício?
Que autenticidade é essa que só se manifesta com arroubos impetuosos de paixões avassaladoras ou ódios mortais?
Acho que pessoa 8 ou 80 tem receio de desacelerar e se desmanchar. Me parece aquele menino ansioso de transar que precisa colocar o pênis pra dentro se não broxa. A verdade árida que o extremista adora externalizar só acontece sob a “mágica” da raiva. Ele urra e sai batendo o pé, tem medo de olhar para os  olhos dos outros, desarmado, vulnerável, sem nenhum número cravado no peito. O extremista usa um dos mecanismos de defesa chamado formação reativa, tem tanto medo de não ser aceito que se joga com tudo, fechando os ouvidos para críticas.
Contar até dez é uma boa maneira de sair do 8 ou do 80 e descobrir outros números, possibilidades, desejos, pessoas e sentir um aroma mais amplo que só a pessoa que anda bem devagarinho (na opinião dele) pode captar.
O argumento supremo (e enganoso) é que a vida não tem sentido sem intensidade e dizer “gosto de ser assim”. Desculpe informar, não é gosto, mas falta de opção (ele está entupido emocionalmente), pois entre pólo Norte e o pólo Sul só um tolo se contentaria em viver na geleira e dizer que não existe nada além disso.
Mas os tolos estão aos montes por aí, mostrando o seu falso orgulho por ser um 
rei da baixaria
 poço de “honestidade”…



Esse foi mais um texto do Sobre a vida
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